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The Ranch e o sexismo


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The Ranch é uma série lançada pela Netflix em 2016, contanto com apenas uma temporada até o momento. É uma clássica sitcom americana (com laugh track e tudo) criada por Jim Patterson e Don Reo e protagonizada por Ashton Kutcher, Danny Masterson, Debra Winger e Sam Elliott.

Explicando o plot rapidamente (mas deixo o link amigo da Wikipedia aqui), a série conta a história de Colt Bennet, um jogador de futebol americano em decadência que após descobrir que o rancho de seu pai está passando por dificuldades, resolve voltar para ajudar. A família é composta por Colt e seu irmão Jameson, mais conhecido por Rooster, o pai Beau e a mãe Maggie.

Vi que muitas das críticas foram bem negativas, algumas criticando até as atuações ou ambientação, mas falando como mera espectadora, achei a série boa, ela é engraçada e tem uma boa história que é aproveitada nos momentos de drama. A minha crítica negativa está na parte da comédia barata, as piadinhas sexistas sem conteúdo algum. Coincidentemente ou não (provavelmente não), os criadores são os mesmos de Two and a Half Man e tem dois atores de That 70’s Show, que faziam uso dos mesmos elementos.

Uma Ugg
Uma Ugg. Foto retirada da seção masculina do site.

Já no primeiro episódio, fazem uma piada sobre as botas de Colt, as Uggs, serem de mulher, e insistem na mesma piada diversas vezes no episódio. Durante vários momentos na série Colt é chamado de mulher (como seu irmão se referindo a ele como “irmã”) de forma pejorativa, claramente dizendo que ele ser uma mulher era algo ruim e um bom motivo para rirem dele, e isso é feito inclusive na frente de outras mulheres, que não parecem se incomodar com o insulto.

Alguns comentários poderiam passar como “preconceito de personagem” se não fosse pelas laugh tracks, aquelas risadas “da platéia” no momento que esses comentários são feitos.

Mas falando das personagens femininas, existem três de importância na série. A primeira é Maggie, ela é dona de um bar e vive em um trailer. Ela e Beau mantém um relacionamento “sem compromisso” depois de constatarem que não poderiam mais viver juntos. Embora eles mantenham um bom relacionamento, ela se mostra relutante de voltar a morar no rancho mesmo quando Beau sugere isso. Pode ser considerada a voz da razão na família.

Então vem Abby, uma professora de história e ex-namorada de Colt que, quando descobre que ele voltou para a cidade, procura manter uma amizade. Logo no início, Colt já interpreta essa amizade como algo além de amizade. Abby deixa claro que está em um relacionamento sério e não tem interesse nenhum em Colt. Então a amizade deles passa a funciona muito bem, com excessão de um momento, quando Abby fica bêbada e começa a criticar avidamente a garota com quem Colt está se relacionando no momento. Durante toda a série, Abby se mostra uma pessoa bem racional, fazendo com que essa parte deixe ela extremamente fora de personagem, e além de não acrescentar nada para o desenvolvimento, tenta manter ela como um interesse amoroso de Colt.

E quanto a essa garota com quem Colt está se relacionando, Heather é apresentada quase que como uma groupie de Colt, eles se conhecem e automaticamente vão para a cama. Ela aparece durante toda a série, mas só ganha espaço de verdade no final, quando Colt termina o namoro que tinha começado sem querer com ela. Heather aceita tranquilamente o término e ainda propõe que eles continuem fazendo sexo eventualmente. Nessa cena, Colt pergunta se ela não vai chorar, pois esperava (por ser uma mulher) que ela não fosse aceitar o término ou que ficaria triste. Assim como Colt não tinha sentimentos por Heather, era de se esperar que ela também não tivesse por ele, o contrário que seria estranho. Depois desse episódio, Heather ganha momentos de fala, e então podemos conhecer a personalidade dela, o que ela gosta de fazer, a família dela, enfim, a personagem é de fato apresentada. E se mostra muito mais interessante do que o esperado.

Quanto ao irmão de Colt, Rooster, um dos personagens principais da série, suas piadas são extremamente reduzidas a sexo ou a insultar Colt, muitas vezes “afeminando” ele para isso. É triste, na verdade, reduzir uma personagem a isso, pois nos momentos onde ele tem espaço para diálogos sérios, mostra frustração e até revolta sobre o fato de Colt ter saído do rancho para jogar futebol enquanto ele acabou preso ali, além da competição dos dois pela atenção (e afeição) do pai.

A série tem uma boa história, o drama familiar é ótimo e a relação de Beau e Maggie mostra um desenvolvimento interessante. Os elementos de comédia tem potencial e poderiam ser melhor aproveitados se eliminassem as piadas sexistas clichês.

Mesmo já estando em 2016, parece que ainda não passamos do ponto de chamar um homem de mulher com o intuito de insultá-lo. E parece que as séries de comédia estão relutantes em deixar esse momento passar. Quanto à próxima temporada, vale esperar que superem os clichês sexistas, continuem aproveitando Heather como fizeram no finalzinho e deem algum espaço para Rooster se desenvolver também.

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2 comments on “The Ranch e o sexismo

Meu problema com séries curtas é que quando eu começo a me apegar à história… e desapegar da antiga… ela termina! Ai que dor que eu sinto! rs… o bom e ruim das séries é isso! 🙂

http://www.mariaclaudiasenna.com

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É verdade! E como é da Netflix, as temporadas sempre vão sair inteiras e acabar rapidinho de novo hahah

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