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Revista Trasgo #12 [Resenha]


Banner revista Trasgo #12

Capa da revista Trasgo #12

A Trasgo é uma revista trimestral de contos de ficção científica e fantasia. Ela traz diversos autores e pode ser lida gratuitamente. A edição número 12 foi feita especialmente por mulheres, tanto nas publicações como ilustrações e edição. Foram 6 contos sobre assuntos variados, além de uma galeria de ilustrações. A organização foi feita por Clara Madrigano e a ilustração de capa por Amanda Duarte.

“Literatura é trabalhar com a destruição. Claro que nela criamos mundos, mas principalmente os destruímos.”

– Aline Valek

 

O Que Sonham as Pílulas

Aline Valek

⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

O conto traz um universo onde você pode optar por tomar pílulas de sonhos, escolhendo o assunto e a intensidade deles. A protagonista é Leona, uma professora de ilustração que está com um problema em relação a seus sonhos, não importa que pílula ela tome, sempre acaba no mesmo lugar, a escola onde estudou.

O foco da história está nas pessoas e sentimentos, e talvez por isso eu tenha gostado tanto. O cenário é utilizado para tratar de questões pessoais como as que temos na vida real, e além disso, o tema de sonhos trouxe uma liberdade muito legal para a narrativa, que pôde contar outras pequenas histórias dentro do mesmo conto.

Tudo Sempre Igual

Ana Cristina Rodrigues

⭐️⭐️⭐️

“E foi justamente a vontade de usar Niterói e colocar fantasia numa cidade que tem pouco ou nada a ver com isso que me fez começar o projeto. É sempre interessante tentar ver aquilo que está na nossa frente todos os dias de forma diferente, pensar onde lobisomens se encontrariam, o emprego que uma maga disfarçada teria, onde essas pessoas poderiam se esbarrar.”

– Ana Cristina Rodrigues

O conto se passa em Niterói e tem Cristina como protagonista, uma bruxa que é forçada a viver sob feitiços que camuflam seus poderes, devido às perseguições da Ordem. Ao longo da história, aparece uma matilha de lobisomens e um deles em especial que busca a ajuda dela.

A história foi bem contada e ambientada, mas a relação das personagens não me cativou e a conclusão veio rápido demais. Acredito que se o foco tivesse ficado apenas no conflito envolvendo os lobisomens, a história teria sido melhor aproveitada.

O Sangue da Magia

M.M Drack

⭐️⭐️⭐️

“Famílias dilaceradas, crianças separadas de seus pais, pessoas mortas em fogueiras, enforcadas ou afogadas. Tudo em nome do poder. Porque era verdade: o homem temia tudo que não podia compreender. E a magia estava entre aquelas coisas incompreensíveis aos meros mortais.”

– M.M Drack

Esse conto também trata de bruxas, mas na Inglaterra antiga no tempo da caça às bruxas. Isolde é uma bruxa que vive escondida com seu pai depois que sua avó foi capturada pelos caçadores de bruxas e sua mãe veio a falecer devido à uma febre.

O universo da história é bem interessante e gostaria de poder ter aproveitado um pouco mais dele. Quanto à história, me lembrou um pouco de um young adult devido ao estilo de personagens e da forma como a relação deles se construiu. Como no anterior, acredito que o fechamento tenha sido um tanto rápido, deixando a impressão de que faltou trabalhar um pouco mais do lado humano das personagens.

O Futuro é um País Estrangeiro

Anna Fagundes Martino

⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Esse é o conto mais curtinho, mas um dos melhores. Ele traz uma conversa de um filho que entra em contato com o pai no passado. Não chega a ser um diálogo, mas um monólogo, sendo todo ele a fala do filho para seu pai. Assim como o primeiro conto, consegue utilizar de meios fictícios para trabalhar as pessoas dentro da história.

“Ciência é magia com explicação plausível. Pense em como seus avós veem o seu smartphone, seu computador, mesmo as ligações internacionais sem telefonista e sem um cabo ligando o aparelho na parede. Caramba, pense no absurdo que é um telegrama, se você não entende de cabos submarinos e código Morse — não parece magia negra? Meia dúzia de barulhos ritmados e opa, lá está uma mensagem. Pense em como você via as transmissões via satélite ao vivo: como é possível? Eles lá — e lá era longe, muito longe, Bagdá, Moscou, Berlim — e você aqui, e tudo isso acontecendo ao mesmo tempo? Tudo ao mesmo tempo?”

– Anna Fagundes Martino

Vozes no Silêncio

Júlia da Silva

⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Em um futuro pós guerras nucleares onde a vida é precária, crianças são recrutadas para treinar e tornarem-se soldados em uma base espacial, lutando em naves e perdendo totalmente o contato com sua família ou qualquer pessoa ainda na Terra.

Esse foi meu conto preferido. Além de o universo ser muito bom (e ter me deixado com muita vontade de ver mais dele), traz duas personagens que se conheceram na própria base, depois de serem postas em dupla para lutarem juntas. Um deles controla a navegação da nave, enquanto o outro comanda os ataques. A autora cita Pacific Rim como inspiração para o conto, mas me lembrou bastante de Starfighter também.

Vidas Dispensáveis

Gabriele Gomes Diniz

⭐️⭐️

O conto traz um mundo futurístico, onde a população vive em estações espaciais. A protagonista é Zahra, uma desenvolvedora de sistemas que trabalha ilegalmente invadindo data centers. Em dado momento, ela começa a trabalhar em uma inteligência artificial com a capacidade de alterar o próprio código, se aprimorando conforme possível.

Embora a premissa do conto seja boa e o universo interessante, a inteligência artificial em si não me passou muita credibilidade, o que acabou deixando o conto um tanto fraco.

Entrevistas

Além dos contos, a revista contém uma entrevista com cada uma das autoras e ilustradora. O tema das perguntas focavam nos contos em si, na questão das mulheres na ficção científica e no mercado editorial como um todo, além das inspirações e processo de criação de cada uma. Há também um trecho do livro “A Casa de Vidro“, de Anna Fagundes Martino e a galeria de ilustrações de Amanda Duarte.

“Enquanto o corpo feminino é um tema recorrente no mundo da arte (e dentro de amarras bem definidas), temos pouca oportunidade de estarmos no comando do pincel.”

– Amanda Duarte

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One comment on “Revista Trasgo #12 [Resenha]

Eu não conhecia essa revista e já anotei aqui,
Amo Ficção Científica e por isso quero acompanhar <3

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