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O Ceifador de Almas – Roberto Ferrari [Resenha]


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Ceifador de Almas é o nome dado a um assassino em série que tortura e assassina mulheres jovens, expondo seus corpos como troféus em algum local aberto a fim de serem encontrados. Os crimes acontecem no interior de São Paulo, nas cidades de Dracena, Panorama e Ouro Verde. E é ao redor desses crimes que a história se constrói.

O livro tem uma dinâmica similar àquelas milhares de séries de investigação americanas. Acompanhamos a investigação e o dia a dia dos policiais, além do drama dos familiares das vítimas e o medo instaurado nas cidades. Há também toda uma ambientação que não deixa os crimes “à parte” da sociedade, mostrando como eles estão afetando a vida da população.

Isso é possível porque acompanhamos diversos personagens, entre eles os familiares das vítimas, os policiais que estão conduzindo a investigação e às vezes, o próprio assassino. Dentre os personagens principais temos o delegado Carlos, que está liderando a investigação. Ele trabalhava em Campinas, mas acaba se mudando para uma cidade menor depois de prender diversos assassinos a fim de terminar sua carreira de forma mais calma. Quando os homicídios na cidade vizinha começam a acontecer, ele é convidado a participar da investigação, visto que possui uma bagagem maior que a do delegado encarregado. E isso acaba levando-o a um conflito quanto a se envolver ou não em mais um caso grande. Além dele, vemos outros policiais cumprindo — ou não — seu trabalho.

o ceifador de almas - capaAcompanhamos também Jorge, o radialista da cidade, que além de noticiar os acontecimentos importantes, também conduz a rádio sertaneja, muito conhecida na cidade. Mas enquanto Jorge é cauteloso em seus noticiários e escuta as recomendações da polícia, o jornalista Joaquim está disposto a tudo para publicar uma notícia que ganhará visibilidade, sendo ela verdadeira ou não. É nosso típico jornalista inimigo dos policiais, que aparece onde não deve e causa pânico na sociedade publicando matérias tendenciosas e nem sempre completamente verdadeiras.

Além deles, há um grupo de motoqueiros que tinha relação com uma das vítimas e não vê a hora de colocar as mãos no assassino, oferecendo incansavelmente ajuda à polícia e buscando se envolver com o caso de qualquer forma. E os pais das vítimas, que incluem uma mãe que acaba tendo um colapso psicológico quando a filha é capturada e outra que promove um motim para matar o assassino quando ele parece estar perto de ser capturado.

Mesmo o livro sendo relativamente grande, ele se passa em poucos dias, mas conta o que acontece com diversas personagens, o que enriqueceu bastante a história, principalmente pela diversidade dos papeis de cada uma na investigação. A narrativa não ficou corrida e como o foco é a investigação em si, não foi feito muito mistério para o leitor sobre quem era o assassino, o que acredito que poderia ter acrescentado um bom senso de urgência se também não soubéssemos quem estava por trás dos crimes.

A história é ótima e foi bem escrita, mas a edição e a revisão deixaram bastante a desejar, com diversos erros menores e parágrafos intermináveis, além de alguns furos aqui ou ali que poderiam ter sido facilmente corrigidos. O que é uma pena, vendo o potencial que a história tem.

Além disso, há alguns misticismos no livro que não afetam a investigação diretamente e acabaram meio soltos e desnecessários. Entre outras falhas, vendo a quantidade de personagens de grande importância, notei uma falta de protagonismo feminino, as mulheres que aparecem são normalmente mães das vítimas e não tem um papel tão presente na investigação.

A história é ótima e o livro tem capacidade de ficar ainda melhor em uma segunda edição, mas recomendo bastante a leitura para quem se interessa por investigações e romances policiais.


DetalhesCapa O Ceifador de Almas

Título original: O Ceifador de Almas

Autor: Roberto Ferrari

Gênero: Ficção

Páginas: 490

Editora: LP-Books

Publicação: 2016

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One comment on “O Ceifador de Almas – Roberto Ferrari [Resenha]

Não conhecia esse livro, mas me interessei bastante, pelo fato de ser narrativa policial. Uma pena que não teve tanto cuidado na hora da revisão, mas ultimamente vejo tantos pequenos erros passando despercebidos, que acabo achando que isso é normal (mesmo que não deveria ser). Amei sua resenha.

beijos,
deloucostodossomosumpouco.blogspot.com.br

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