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Doze Contos Peregrinos – Gabriel García Márquez [Resenha]


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Uma das mais importantes coletâneas da literatura mundial, Doze contos peregrinos são histórias de latino-americanos na Europa, peregrinos que não deixam de sonhar com a terra natal. O mestre do realismo fantástico Gabriel García Marquez usa como pano de fundo Barcelona, Genebra, Roma e Paris para retratar a solidão através de histórias brilhantes de amor, poder e morte. Do homem que luta pela canonização de sua filha durante cinco papados à prostituta que decide acertar todos os detalhes de seu funeral, todos os contos são dotados da sensibilidade e do humor que são as marcas do grande mestre.

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Resenha

Doze Contos Peregrinos começa com o autor nos apresentando às histórias em um prólogo sobre a escrita do livro. Os contos levaram 18 anos para serem finalizados, começando com a elaboração de ideias, escrita, sua caída no esquecimento e enfim a finalização. Devido às idas e vindas dos rascunhos da mesa para o cesto de lixo, os contos tornaram-se peregrinos, assim como suas personagens latino-americanas que vagam em terras europeias. Sendo elas pessoas que vivem fora há anos ou turistas enfrentando os desafios da língua desconhecida.

“Seja como for, por via das dúvidas, não tornarei a lê-los, como nunca tornei a ler nenhum de meus livros com medo de me arrepender. Quem os ler saberá o que fazer com eles. Por sorte, para estes doze contos peregrinos terminarem no cesto de papéis deve ser como o alívio de voltar para casa.”

Após a escrita dos contos, Gabriel García Márquez voltou às cidades européias onde suas histórias foram ambientados para analisar a veracidade de suas lembranças. Lá ele acaba por descobrir que todas haviam sofrido diversas mudanças ao longo dos anos. O que o inspirou a reescrever todos os contos.

Doze Contos Peregrinos: Prólogo - Por que doze, por que contos e por que peregrinos

Em diversos casos as histórias tratam da morte de alguma forma, seja com o falecimento de alguma personagem importante ou secundária, como inspiração para uma viagem ou sobre sua iminência. Ainda assim, a narrativa se mantém leve e agradável mesmo narrando eventos trágicos.

As personagens são muito diferentes entre si e cada conto é uma experiência completamente nova, tornando a leitura do livro muito agradável. As personagens são envolventes, as histórias curtas e sem clichês, sendo impossível prever o que acontecerá em seguida.

Os contos

Mas vamos falar um pouco sobre cada um dos Doze Contos Peregrinos:

“Boa viagem, senhor presidente” trata de um ex-presidente caribenho exilado de seu país e vivendo na Suíça. Ele está doente e possivelmente em seus últimos meses de vida. Nesse tempo, conhece um casal também caribenho com opiniões políticas diferentes, que acabam sendo afetadas pelo encontro com o ex-presidente. “A santa” é uma história um tanto curiosa, mostra a peregrinação de um senhor atrás da canonização de sua filha. Ele passa por diversas igrejas e está em busca do papa, sempre carregando o corpo da filha.

“O avião da Bela Adormecida” é o conto mais fraco e até dispensável. Ele é breve e acontece todo durante uma viagem de avião. Nele, a personagem principal se encanta com a beleza de uma moça no vôo. Mas nada acontece realmente e ele termina da mesma forma que começou. “Me alugo para sonhar” mostra a história de Frau Frida, uma mulher que prevê o futuro em seus sonhos.

“Só vim telefonar” e “Assombrações de agosto” têm uma temática um pouco diferente dos demais, podendo se encaixar em um conto de Allan Poe. É interessante ver como o autor tratou de um assunto diferente dos demais mantendo o mesmo estilo de narrativa. O primeiro poderia ser um terror psicológico se fosse contado dessa forma, mas é narrado em tom leve como os demais.

Contracapa de Doze Contos Peregrinos

Em “Maria dos Prazeres”, a iminência da morte é apresentada e Maria começa a se preparar, fazendo testamento, dividindo seus bens cuidadosamente, comprando um túmulo, plantando algumas flores ao redor dele e procurando alguém para cuidar de seu cachorro. Ela também é a única personagem brasileira dos contos. “Dezessete ingleses envenenados” não tem uma história com início e fim realmente, mas é muito divertido. A personagem é uma turista perdida que não vê a hora de voltar pra casa. O cenário mostra diversas peculiaridades do ambiente estrangeiro, o que aumenta a sua vontade de retornar logo para seu país. E como o título já conta, dezessete ingleses são envenenados durante esse passeio.

“Tramontana” é o nome de um vento muito forte vindo do norte. O conto mostra um jovem muito preocupado com a iminência dos ventos, desesperado pela volta para casa. Enquanto isso, as demais personagens que nunca vivenciaram tal fenômeno, se mostram confusas com o desespero do rapaz. Até que os ventos finalmente chegam, deixando todos presos em casa. “O verão feliz da senhora Forbes” relata o verão nada feliz da senhora Forbes. Assim como das crianças as quais ela ficou responsável enquanto os pais viajavam. Seu trabalho era o de cuidar das crianças e educá-las aos moldes europeus. O que as crianças obviamente não gostavam e queriam, de qualquer forma, se verem livres da senhora Forbes.

“A luz é como água” é contado pelo ponto de vista das crianças, muito imaginativo. É bem curtinho, mas divertido e original. “O rastro do teu sangue na neve” trata de um casal, como se conheceram, o casamento e a tragédia que os seguiu. Embora a história seja interessante, o conto não é muito agradável de ler, acredito que seja pelas personagens não serem tão cativantes quanto as demais.

O autor

Gabriel Garcia Marquez

Gabriel García Márquez foi um escritor colombiano. Nasceu em 1927 na cidade de Aracataca e estudou Direito e Ciência Políticas. Trabalhou durante algum tempo na Europa e Estados Unidos como correspondente internacional, acabando por ser perseguido pela CIA devido a suas críticas aos exilados cubanos e amizade com Fidel Castro.

Ganhou o Prêmio Esso de Romance em 1962 com “O Veneno da Madrugada” e em 1971 o Prêmio Esso de Novela com “Má Hora”. Em 1982, recebeu o prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto da obra.

Em 2002 foi diagnosticado com um câncer linfático, escreveu sua autobiografia “Viver para Contar” e se aposentou em 2009, vindo a falecer em abril de 2014.

Veja a biografia completa.

Sua obra mais popular é “Cem Anos de Solidão”, sendo considerada um marco da literatura latino-americana.

Veja outros livros do autor.


Capa do livro Doze Contos PeregrinosDetalhes:

Título original: Doce Cuentos Peregrinos

Autor: Gabriel García Márquez

Tradução: Eric Nepomuceno

Gênero: Contos

Páginas: 256

Editora: Record

Publicação: 1992

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