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Capital Revelada – Atlas Moniz [Resenha]


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O limite do vazio, emoções tomando forma. Olhos que o encaram do negrume, o espectro de um garoto há muito morto, uma realidade oculta. Para Luiz Azevedo, universitário e historiador em formação, tudo começa com uma foto velha, presumivelmente da década de 1920, de um jovem com feições do leste asiático: um rapaz que parece sair da foto para assombrar seus dias e noites, que parece segui-lo nos melhores e piores momentos.

Uma relação abusiva, uma tentativa de suicídio, um jovem socorrido em mais um de seus piores momentos. O tal Marcos Castelo Branco (ou Marcos Akiyama?), colega de faculdade de ascendência asiática, tem uma semelhança assustadora com o retratado na foto de oitenta anos antes. Quando Luiz e Marcos começam a se conhecer, quando seus destinos começam a se entremear, as grandes questões parecem uni-lo em um confronto contra o desconhecido: quem é o rapaz da foto e por que ele se parece com Marcos; por que ele insiste em observá-los de perto, das portas de seus quartos, parado e inexpressivo como uma estátua de mármore, morto há décadas?

Tudo começa e termina com uma foto.

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Capital Revelada

A história de Capital Revelada começa quando Luiz conhece Marcos, que está todo machucado e prestes a cometer suicídio. Tentando entender o que está acontecendo, Luiz se aproxima do garoto, que logo demonstra ser uma pessoa difícil de lidar.

A narrativa se passa no Rio de Janeiro e gira em torno do mistério em relação à uma foto e à pessoa nela apresentada, cujo fantasma resolveu assombrá-los. A história não esquece da importância do cotidiano, mostrando o dia a dia das personagens, porque mesmo quando somos assombrados por um fantasma, a faculdade e o trabalho não param.

Nesse universo, além dos fantasmas, as emoções também podem criar vida e tomar a forma de monstros, atacando as pessoas. Por isso, existem místicos, que têm a habilidade de lutar e matar esses monstros.

Embora algumas repetições de termos tenham me incomodado um pouco, gostei bastante do estilo da escrita. Gosto de narrativas que perdem tempo nos detalhes, seja para descrever o ambiente ou as ações mais irrelevantes das personagens. Além de não deixar a narrativa muito corrida, nos dá noção de ambiente e tempo.

O livro tem diversos pontos bem interessantes, entre eles o desenvolvimento das personagens e em especial o relacionamento entre elas, que vai sendo construído a longo da história aos poucos, sem situações criadas para forçar a aproximação delas.

Tanto o mistério em torno da foto quanto o universo do livro vão sendo apresentados e descobertos aos poucos, evitando uma chuva de informações no início ou final da história como é comum em livros de fantasia. Além de não ficar confuso em momento algum, mantém a história interessante conforme vamos entendendo o que está acontecendo.

O suspense e o terror também são muito bem casados, sem cenas deslocadas para assustar ou criação de mistérios irrelevantes. Para quem se interessa por suspense, recomendo bastante o livro.


Detalhes

Capital Revelada

Título original: Capital Revelada

Autor: Atlas Moniz

Gênero: Fantasia Urbana

Páginas: 190

Editora: Amazon/Independente

Publicação: 2015

 

 


mli2016

A leitura desse livro foi parte da Maratona Literária de Inverno | #MLI2016.

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